Ambos desejavam ficar ali

(…) Ultrapassado o portal, Chieko disse:

– Quero ir ao templo Kiyomizu.

– Ao Kiyomizu? – repetiu Shinichi, com o ar de quem diz: “Que proposta tão banal.”

– Gosto de olhar lá de cima a cidade de Kyoto ao crepúsculo e de ver o pôr do sol sobre os montes, a ocidente. (…)

Kyoto, Yasuari Kawabata (1961)

O templo de Kiyomizudera é um dos templos mais célebres e visitados de todo o Japão. Património mundial da UNESCO, encontra-se estrategicamente posicionado nas montanhas de Higashiyama, no topo de uma das áreas da cidade com mais atrações turísticas, incluindo o encantador bairro de Gion, das coloridas e fugidias maikos e gueixas. Este templo budista é local de peregrinação e representa o coração espiritual e a alma de Kyoto.

A vista dos terraços do complexo do templo é arrasadora: Kyoto rende-se aos nossos olhos e aos das centenas de peregrinos e visitantes que diariamente sobem as ruas íngremes e movimentadas do bairro Higashiyama, com inúmeras lojas e restaurantes a venderem especialidades locais, artesanato e lembranças.

Literalmente traduzido como Templo da Água Pura, Kiyomizu oferece uma cascata de água com propriedades benéficas à longevidade e ao amor, bem como um santuário dedicado à divindade do amor e do enamoramento. À sua frente encontram-se duas pedras colocadas a 18 metros de distância. A tradição diz que a mulher ou o homem que de olhos fechados consigam fazer o caminho de uma pedra à outra vai encontrar o seu amor verdadeiro. Pode ser feito com ajuda, de braço dado a alguém que se voluntarie, mas significa que também será necessário a presença de um terceiro para uma vida amorosa com sucesso.

Estas tradições relativas a Kiyomizu fazem do ambiente um divertido palco de casais, grupos e famílias que brincam e tiram selfies ora com Kyoto rendida nas suas costas, ora com o templo e os seus terraços animados como cenário. Visitar ao final do dia é a receita mais que perfeita para assistir à cidade ser varrida pela luz dourada e quente do pôr do sol. É receita para assistir a muitos sorrisos e mãos dadas. É delicioso.

Mas sim, Shinichi, Kiyomizu é banal, é muito banal. O abraço dos amantes dá-se em  pequenas cascas de nozes.

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