Fushimi Inari Taisha

Ainda não tínhamos conseguido traçar o plano definitivo para aquele dia. A semana de Kyoto estava a acabar e tínhamos a consciência de que um pequeno imprevisto nosso ou uma mudança no tempo, que até lá sempre se nos manteve fiel, com dias pouco nublados, podia fazer-nos perder a oportunidade de visitar um dos locais mágicos que estava na nossa lista de viagem. O santuário de Fushimi Inari era um desses locais, mas havia outros na lista que apresentavam a mesma prioridade, aquela mesma qualidade turística de it’s a must. E nessa manhã, ainda confortavelmente em casa, enquanto assobiávamos para a chávena de café para que arrefecesse, tentámos, sem sucesso, definir um caminho. Estávamos divididos entre dois gigantes de Kyoto, o santuário de Fushimi Inari e o templo dourado Kinkaku-ji, na área noroeste de Kyoto. Ambos os locais dariam para um dia inteiro de passeio, e distavam praticamente a cidade de Kyoto entre si. Ao último golo do café levantámo-nos, calçámo-nos e saímos para a estação ferroviária de Nagaokakio que serve a JR Kyoto line e que nos leva diretamente para a Estação de  Kyoto em 11 minutos. Desta agitada estação central, partem comboios para todo o Japão. Massas humanas cruzam-se em todos os quadrantes, tanta gente com destino preciso e pontual. Daqui podíamos apanhar a linha Nara e, em cinco minutos precisos de comboio, chegar à estação de Inari para descobrir o famoso templo xintoísta de Fushimi Inari e a montanha sagrada onde se encontra. Tínhamos tomado a decisão.

Fushimi Inari foi o cenário de uma das cenas mais emblemáticas do filme de Steven Spielberg, Memórias de uma Gueixa. Há muitos anos que fui ver o filme em cinema e não me marcou muito, apesar de toda a beleza fotográfica e da mestria dramática de Spielberg, por uma só e grande razão: o filme era em língua inglesa. O bairro antigo de Gion, com a Chiyo e a demoníaca Hatsumomo a falarem inglês não me convenceram na altura em que vi o filme. Mas tenho a certeza de que quem gostou lembra-se da hipnótica cena em que a Chiyo corre e corre num corredor de milhares de portões, chamados torii, e que nos apela a uma lágrima por cada passada que dá: https://www.youtube.com/watch.

Fushimi Inari é um templo alojado no sopé de uma montanha, em que vários trilhos cobertos com fileiras de torii partem subindo a montanha e indo de encontro a outros pequenos santuários. É fabuloso pelo contraste do laranja dos torii com a vegetação verde da floresta por onde os trilhos serpenteiam. Este é o santuário do Deus Inari, deus do arroz, mas que hoje simboliza o padroeiro dos negócios e negociantes. Cada uma das toriis foi doada por uma entidade negociante e serve para semear os anos vindouros de fecundidade e prosperidade nos negócios. Estátuas de raposas são frequentemente encontradas nos santuários Inari. Elas representam os mensageiros e trazem na sua boca a chave que abre o sagrado celeiro de arroz, representação de riqueza.

Fushimi Inari Taisha é hipnótico, meditativo, revigorante. É de não perder, mas para nos perdermos. É de voltar e voltar que o princípio é o fim em si mesmo.

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Fushimi Inari Taisha.

 

 

 

 

 

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