Hankyu line

Chegou sexta-feira, uma semana após temos embarcado para o japão, e estavamos satisfeitos por já termos percorrido grande parte de Kyoto e começarmos a ter a sensação de perceber a sua dinâmica. Estávamos hospedados em Nagaokakyo, cidade que fica a dezassete minutos de comboio, pela linha Hankyu, da estação central de Kawaramachi. Fazíamos sempre essa curta viagem de comboio até ao centro de Kyoto com muita satisfação. Os comboios não deixavam de ser uma constante novidade. Pareciam acabados de sair da loja, por fora e por dentro. Os seus interiores brilhavam de polidos, a publicidade e avisos de etiqueta aos utentes, muitas vezes indecifrável aos nossos olhos, estavam geometricamente colocados, arrumando-nos os pensamentos. As pegas que caíam do teto do comboio eram de um branco que parecia lavado em lixívia, pegas essas que tinham um suporte flexível em tecido plastificado impecavelmente trabalhado e limpo. O chão claro das carruagens, onde não se encontrava lixo ou sinais de uso, intensificava essa sensação de limpeza e fazia-nos crer estarmos num espaço maior do que era. Os passageiros sentavam-se em bancos de cetim verde ou vermelho escuro, onde não se encontrava um defeito, dispostos frente a frente nas laterais da carruagem, deixando um corredor relativamente amplo no meio. Todos seguiam no embalo do comboio em silêncio e era também esse silêncio povoado, para além da sensação de inaugurar um espaço novo dada pelos materiais impecavelmente estimados do comboio, que nos oferecia um imenso prazer em deslizar pela linha Hankyu até Kyoto, para mais um dia de passeio e descoberta.

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