antes da partida

queremos levar tudo, por vezes até objetos que pouco usamos no cotidiano. sentimos que tudo nos vai fazer falta quando lá chegarmos e o pensamento não nos larga com associações  complexas, lógicas também, que começam geralmente com uma só ideia e terminam numa rede de objetos e necessidades que alimentam essa ideia.

o exemplo mais crítico é relativamente à roupa. não terminam as projeções sobre se faz frio, vento, chuva, sol e acabamos por querer despejar um roupeiro numa mala de viagem que se quer leve e prática. se fizer sol isto, se chuva isto, falta o cachecol, um corta-vento para os dias de vento. se juntarmos as preocupações estéticas acabamos por querer meter o rossio na betesga.

a tecnologia também nos faz pesados. temos que levar os carregadores, os transformadores, os adaptadores. a ideia de levar uma máquina fotográfica pede lentes, tripé, cartões de memória, cabos de ligação. o pesado não é só traduzido em peso físico, mas também em preocupação. a bateria está carregada?

o destino e a estação do ano influenciam bastante esta questão, de fazer as malas e estas estarem exatamente no ponto para nos servirem sem nos cansarem, mas não a eliminam. talvez só mesmo a experiência possa aliviar o tempo que se gasta na preparação de uma mala, pela gestão que a experiência de um viajante faz das expetativas. mas, ainda assim, aposto que preparar uma mala de viagem que nos sirva no fio da balança é sempre um desafio.

o meu ideal é mesmo levar uma mala vazia, para que se traga cheia. não de coisas, mas de estórias e relações. mas acabo sempre por levar dois pares de meias.

 

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2 respostas a antes da partida

  1. Rick diz:

    Bons trilhos para vocês, Aventureiros!
    Que essas “meias” voltem cheias de borboto como reflexo da emancipação da alma!
    eheheh 🙂

    日本を巻き込む

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    • hugosorio diz:

      Obrigado, Rick. Já tratámos do malfadado jetlag, mas que ao mesmo tempo sabe tão bem, por ser sinónimo de virar a página do mundo. Ainda não sabemos se somos nós a envolver o Japão ou se é o Japão que tratará de nos envolver. Mas não precisamos de ter uma resposta para já. Um abraço

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